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sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Angústia - I

Aparentemente, um dos caminhos mais rápidos para definir o que é a angústia seria perguntar ao próprio angustiado. Só que o angustiado não é a pessoa mais indicada do mundo para descrever a angústia. Sua descrição vai ser forçosamente vaga: “pois é. Não sei. Sei lá. Mil coisas...” Ele não estará enrolando. A angústia é mesmo uma vivência turva, pesada, um medo difuso, difícil de escrever. É por aí, por essa vaguesa, que eu gostaria de continuar tentando entender esse sentimento. Por que é tão difícil tomar consciência da angústia e de seus efeitos em nosso estado de consciência? Porque ela é um estado de contato – sem contato. Para entender melhor isso, gostaria de convidá-los a uma observação. Temos dois estados de consciência que se alternam sem a gente perceber: o estado separado de consciência e o estado de contato.
Dou dois exemplos de pontos extremos desses dois estados. A pessoa que está trabalhando no escritório às três da tarde e a pessoa que, àquela mesma hora, está na cama com a pessoa amada. São dois estados de consciência absolutamente opostos. O sujeito do escritório tem condições de saber exatamente o que está fazendo, o que se passa com ele naquela situação, que é uma situação de estado separado da consciência. Ou seja ele pode ver de fora e avaliar o contexto no qual ele está inserido. Já o mesmo não acontece com o cara que está com a namorada na cama, em estado de contato. Entedamos bem. Ele não vai saber descrever direito o que se passa. Suas emoções e sensações. Vai ter de se valer de imagens para contar. Quer dizer, é difícil descrever uma situação quando você está mergulhado nela. E o essencial de uma situação erótica é o estado de contato, de imersão. Um estado marcado por certa vaguesa gostosa.
Qual é a importância desses dois estados para a compreensão da angústia? É importante saber, porque a gente pode perfeitamente descrever a angústia como um estado de contato – sem contato! Daí a vaguesa da angústia: sei lá, tantas coisas... A vivência da angústia não tem mesmo limites definidos. Ela corresponde a uma busca de contato que está reprimida. Uma excitação que fica no vazio.

Bom, toda excitação humana busca um objeto de satisfação. A angústia é uma forma de excitação que, como todas, busca o seu objeto. Só que é uma excitação reprimida por determinados motivos, uma excitação no vazio, que não pode chegar à representação na cabeça. Mas que em si faz parte do estado de contato, da relação amorosa, erótica. Daí sua vaguesa. Num dos livros de Monteiro Lobato, diz-se que Emília rouba uma flecha de Cupido e crava-a em Anastácia, a cozinheira. E a pobre mulher fica toda apaixonada, sem saber por quem, no vazio. Essa é uma boa imagem da angústia. Outra compreensão nos é dada por Martin Heidegger, quando ele fala de angústia metafísica. É aquela sensação de insatisfação que aparece assim do nada. As vezes acordamos bem, alegres, mas pouco tempo depois estamos entediados, insatisfeitos, sem saber o porque. É uma sensação de vazio. É o nada metafísico de Heidegger. Como explicar essa senção? Como entender esse estado de consciência? Como superar a angústia?
Ps. A reflexão vai continuar na próxima postagem. Na verdade eu escrevi um único texto mas como ficou demasiado extenso preferi subdivir. De forma que nos ajuda a entender melhor essa situação de insatisfação aparentemente sem sentido, mas que acaba dominando nossa consciência e com objetivo bem específico.
Ps²: Aguardem a entrevista com o Luis Fabiano. Vai ser uma entrevista maravilhosa. Vai valer a pena conhecê-lo um pouco mais.
E Obrigado a todos que voltaram a comentar com o carinho de sempre em nosso blog. E vem novidades por aí. Aguardem!
Jason Waider, o próprio

terça-feira, 16 de junho de 2009

Quem sou eu?


Os dois lados de uma mesma moeda.
O sim e o não pra uma mesma pergunta.
O sagrado e o profando numa mesma alma.
Mas tem uma coisa que sou por inteiro: sou todo amor.
A vida me ensinou a esperar.
O tempo me ensinou a amar.
A esperança me trouxe algumas certezas.
O medo algumas vezes me fez duvidar e,
Num tempo, as noites me davam medo...
Agora elas me dão amor.
By Jason Waiderson

O Espelho mente ou você? Ou todo dia você vê outro você? Mesmo seus olhos não vendo a diferença?



Pedaços de mim

Qualidades:
Sou sincero e amoroso, compassivo e alegre.
Defeitos:
Perfeccionismo, auto-rigor. Cobro demais de mim mesmo e por consequência acabo cobrando de quem está a minha volta também. Conviver com o Alê tem me ajudado a ser menos exigente.

Maior medo:
De perder a esperança
Maior sonho:
Manter a felicidade em qualquer circunstância. Permanecer no amor.
A vida numa palavra:
Possibilidades
Projeto de vida:
Meu livro, Oficializar a união com o Alê depois que ele terminar a pós-graduação. Morar 2 anos na Austrália, com o Alê claro.

Passatempo preferido:
Tocar violão
O que mais gosto?
Viajar, ir ao cinema, jantar fora com o Alê e namorar.

O que não gosto?
Mentira e indiferença e de pessoas pessimistas e que vêem dificuldade em tudo.
Momento inesquecível
1º. Beijo do Alê, a primeira vez que o Alê falou comigo na faculdade.
A Maior saudade:
Papai

Em que acredito?
Em Deus, no amor, na amizade, na força do bem e no Alê.
Em que não acredito?
Que os direitos humanos possam ser respeitados e nos políticos do Brasil.

O Alê em minha Vida:
Melhor amigo, o amor que preciso, a companhia perfeita. Resposta de Deus aos meus pedidos. Alguém em quem confio e com quem tenho coragem de ser simplesmente EU. Ele é alguém que quando ri de mim, ri não por despeito, mas porque me conhece, sabe de meus limites e de minhas capacidades. Sabe que sou inteligente e também idiota. E a gente ri mesmo, um do outro e um para o outro e um com o outro.

O que preciso aprender:
Que o que é certo e válido pra mim, não é válido para os outros. E que muitas vezes ao tentar ajudar eu posso estar atrapalhando.

Valores: os que tornam a vida de um homem melhor. Justiça, honestidade, autenticidade
Princípios: Morais e éticos e humanitários.

Por fim, não me peçam pra mudar. Isso acontece naturalmente, sou um sendo, estou em construção e estou aberto a isso.

Quem sou eu? Alguém com um nome que talvez seja bem diferente. O nome foi escolhido por minha mãe, que viu num filme do qual nem ela mesma se lembra o nome. Para os curiosos que perguntam o nome é esse mesmo Jason Waiderson Ghiraldi de Oliveira se alguém quiser a cópia da certidão de nascimento é só falar e pagar os 0.15 centavos do Xerox, deixar o endereço completo que eu envio pelo correio kkkk. E podem falar que o nome é esquisito e feio eu assumo e aceito. Mas eu gosto. Apesar de eu nunca usar, Ghiraldi é o sobrenome de meu PAIZINHO e é o legado que ele me deixou. Oliveira é sobrenome de minha mãe.

O que mais a gente tem na vida além do nome e do tempo que nos é dado pra viver? Alguém sabe?

PS. O Caim, blogueiro, chamou a atenção para discurtirmos sobre o lamentável incedente em SP na parada gay. Estou preparando um post sobre isso. Mas gostaria que os interessados em se informarem, que visitassem o blog do Foxx, deixo o link abaixo e acho que extremamente importante que nos informemos e que manifestemos nossa opinião madura, consciente e compromentida com mudanças em favor do direito e da liberdade. http://soumundano.blogspot.com/
Bju pra todos.
QUEM SOU EU? EU UE.

quinta-feira, 11 de junho de 2009

Amor


Você já amou alguma vez ?


À luz da lua
Meio acordado, meio dormindo
você já se deitou pensando que foi tudo um sonho?
mas você olha adiante e lá esta o seu amor
a todo momento, em todo lugar
você já amou alguma vez?
você já sentiu quão longe um coração pode ir
você ficou esperando por um telefonema
apenas para escutar a voz de seu amor
só porque vocês sentem muito a falta um do outro
você já amou?
Já teve momentos pra sorrir
e momentos que você realmente desejou chorar
procurando razões para acreditar
porque você morreria um pouco se ele mentisse
e em momentos de dúvida você já tentou superar isso
mas ainda ficou questionando
o que foi tudo aquilo
e quando seu amor esta longe
você já sentiu que precisava distanciar-se
e tentou, e descobriu que isso não valia a pena
porque ao lado dele você pode ser verdadeiro
e com ele você pode ser você mesmo
você já amou alguma vez?
e quando cai a noite
você pode chamar sua casa de lar
você sonha que vocês estão juntos
e acorda sozinho
voce já amou alguma vez?
da mesma forma como eu amo?
Você já? Você já amou?
Eu estou amando, amando...
By Jason Waiderson
Amigos,
Deixo a todos um grande beijo cheio de carinho, por mim e por Alê.
Hoje fomos ver nossas famílas eu a minha e ele a dele.
Amanhã, sexta-feira bem cedo a gente vai sumir no mapa. Segunda tamu de volta.
Bju nosso.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Tudo tem seu preço!

Restrospecto – O que você me diz sobre...

Amigos, nessa semana estive conversando com o Alê sobre o meu blog, sobre os posts e os comentários de todos. Lemos vários comentários juntos. Foi muito bom ver como muitos de vocês acompanharam partes de minha vida. Como seguiram com interesse.
Eu pude perceber o quanto, muitos desejam um grande amor como o meu e do Alê e do fundo do coração, tanto eu quanto o Alê desejamos que cada um, possa um dia encontrar esse amor. Eu pude perceber também que alguns chegaram, claro, tomados pela compaixão e até mesmo por identificação nos ver como modelos de casal. Não. Não somos, podemos no máximo deixar claro que nosso amor está acima de rótulos, clichês ou qualquer outra coisa. Não temos, nem eu e nem o Alê a intenção de sermos garotos propaganda de um modelo de amor que deu certo, ou que pelo menos está dando... Essa história que partilhei com vocês, é toda ela verdade. Pode parecer épica, pode parecer um conto dramático com final feliz, mas não é nada disso. Eu sei o quanto sofri para chegar onde estou hoje e o Alê nesses dois anos e pouco que está comigo partilha comigo até hoje de minhas dores, de minhas inseguranças. E ele tem as dores dele também, as quais de coração aberto e generoso divido com ele. Vocês se perguntaram alguma vez como é a vida desse grande cara? Será que foi fácil pra ele? Aliás, é fácil ser gay e conquistar respeito pra alguém? É ou foi fácil pra você?
Eu não tive nunca a intenção de vender uma imagem bonita e perfeita de nós dois. Mas nossas mentes são criativas, temos esse poder incontrolável de criar e imaginar as coisas e isso é bom. Mas saibam que somos dois caras normais, trabalhadores, estudiosos e até bem caretas também. Gostamos muito de ficar em casa se curtindo, comendo pipoca. As baladas e boates são coisas que curtimos raramente. Gostamos de viajar, ir ao cinema, gostamos de conversar, de fazer planos, somos sonhadores. Talvez seja coisa da idade...
Essa imagem bonita que muitos talvez criaram, talvez exista sim, porque a gente se ama e curte isso. E o amor é bonito. Porque a gente é tanto amigo quanto amantes compromentidos com a felicidade um do outro. Mas não deveria ser esse o propósito de todos que se aventuram numa relação a dois, independente se hétera ou homo?
Essa história maluca de postar num blog a minha vida, rendeu mais do que eu imaginava. Além dos inúmeros amigos blogueiros pelos quais tenho imenso carinho ( vocês não conseguem imaginar quanto ) muitos outros amigos surgiram apenas por que tiveram acesso ao blog, em um número também expressivo. Andei recebendo inúmeros e-mails comentando, fazendo perguntas. Convidando para eventos gls e tals. E eu nunca quis isso e nem tenho essa intenção. Na minha vida pessoal e com minha família tudo anda bem resolvido. Mas por outro lado a família do Alê, apenas nos suporta, não nos ama nem nos aceita. (Mas seria demais, querer isso né? Ou não? Nem sei se mereço. E de qualquer forma é egoísmo meu pensar: se eu mereço. Me dói o coração é ver que esse fato da Família do Alê não nos aceitar como minha família nos aceita, é uma ferida aberta no peito dele... mas vamos falar sobre isso depois.
Então, o projeto do livro está andando bem. Já tenho propostas de 3 editores. Mas ainda não decidi quem vai editar. A única decisão já tomada é quanto aos direitos autorais, mas falo sobre isso em outro post. E além do livro e convites para pequenos eventos, apareceu também pedido para entrevistas numa pequena revista gls, na verdade foram dois convites. Mas ainda estou pensando sobre isso e junto do o Alê, e com cuidado. É minha vida e a dele que está em foco. O blog, por mais aberto e democrático que seja, é apenas virtual. Enquanto que aparecer num evento, numa revista ou jornal já é outra história...
Talvez agora alguém venha a me dizer que talvez eu seja covarde e esteja querendo me esconder. Pode até ser. Mas antes de tudo eu não estava preparado para essa repercursão que no fundo acaba sendo bem passageira. Amanhã estamos todos em busca de uma outra novidade. E isso é bom, a vida é assim. Segundo, eu tenho que pensar em minha relação pessoal. Valeria a pena? Se coloque no meu lugar. O que você faria? Se você está lendo esse post, eu quero a sua opinião. Você colocaria a sua cara numa revista ou num jornal GLBT, junto com seu namorado? Ignoraria os problemas familiares? Ou a incerteza e o medo de seu parceiro? É possível medir as consequências?
O que você me diz?
Tanto eu quanto o Alê gostamos das perguntas propostas para entrevista, as achamos interessantes. Até nos empolgamos com esse negócio de entrevista. Mas tem os prós e os contras. E eu até postaria as perguntas aqui. Mas nada além disso, pelo menos por enquanto. É que o editor do jornal e revista quer colocar fotos nossas, junto da entrevista. Sugerimos que colocasse fotos públicas de modelos e tals, e talvez essa seja uma alternativa que ele ( o editor ) está pensando. De qualquer forma quero que saibam que essa história toda tem mexido muito com minha cabeça e do Alê também...
Você arrisca a me dar a sua opinião?
Te abraço de coração, Jason.

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Minha História


Atubiografia – Indíce provisório de meu livro.
Amigos, como prometi estou publicando provisoriamente o indíce de meu livro. Além do que já foi postado no blog já tenho muita coisa escrita.
O que você me diz? Sugeriria mudar algum título? Sugere que fale de algum apescto que não falei?

· Apenas um adolescente gay
· Saída de casa aos 15 anos ( postado no blog parte1)
· Arquitetando a fuga ( postado no blog parte 2)
· A saída de casa ( postado no blog parte 3 )
· Breno: primeiro homem, primeiro amor ( não está no blog )
· Sonhos, lágrimas e medo ( não está no blog )
· Um verdadeiro anjo em minha vida ( postado no blog parte 4)
· Novo dia, nova vida, novo visual ( postado no blog parte 5)
· Medo de ser encontrado ( não está no blog )
· Saudades de meu irmão ( não está no blog )
· Como consegui ficar no anonimato por tanto tempo ( não está no blog )
· Escondido dentro de mim mesmo ( não está no blog )
· As conquistas de um “pobre” menino gay ( não está no blog )
· Meus fracassos no amor ( não está no blog )
· Nada de ficar por ficar ( não está no blog )
· A difícil e dura vida de entregador de jornais e marmitas ( não está no blog )
· O Cláudio não me deu moleza ( não está no blog )
· Minha formatura no segundo grau ( postado no blog parte 6)
· O Cláudio um mestre e amigo ( postado no blog parte 7)
· 1º. Passo concreto rumo ao objetivo traçado
· O antigo novo visual ( postado no blog parte 9)
· A emoção de estar em casa depois de tanto tempo ( postado no blog parte11 )
· A hora da verdade ( postado no blog parte 12 )
· Verdades são caminhos sem volta ( não está no blog )
· De volta ao trabalho: surpresa ( postado no blog parte 13 )
· 2º. Passo concreto rumo ao objetivo traçado ( postado no blog parte14)
· A formatura na Faculdade
· O Grande dia: A festa ( postado no blog parte 15 )
· Em crise existencial: envolvido com uma garota especial ( não está no blog )
· A doença de papai ( postado no blog parte 16 )
· Um amor para amenizar a dor: Alê ( postado no blog parte 17 )
· A morte de papai ( postado no blog parte 18)
· Uma homenagem de amor eterno ( postado no blog parte 19 )
· O Perdão pode curar para sempre ( não está no blog )
· Só o amor vale a pena ( não está no blog )
· Curtindo o namorado ( blog parte final )
· Eu certinho, organizado e prático e meu namorado, o largado... ( não está no blog )
· Um coração generoso, o carinho e a ternura de um homem chamado Alessandro ( não está no blog )
· Eu e o Alê: uma história de amor ( não está no blog )
· Sonhos que alimentam, amizade que sacia : O amor começa aqui... ( não está no blog )
· Fim
Fale comigo, me dê sua sincera opinião. No próximo post vou partilhar com vocês uma situação inusitada, sobre a repercursão de minha história aqui no blog. E gostaria muito da opinião de vocês.
Tenho que ir agora abraço a todos do Jason

segunda-feira, 18 de maio de 2009

Minha História - Final

FINAL : UMA NOITE DIVERTIDA EM NOSSAS VIDAS

Uma vez fomos a uma festa dessas de rua, uma micareta ou coisa parecida. Nessa noite nos divertimos muito e sempre juntos e resolvemos zuar prá lá...
O Alê, para os curiosos, não é porque é meu gato... mas ele é lindo. Tem 1,70 de altura, 67kgs, cabelos castanhos e um par de olhos verdes lindos, que brilham intensamente quando me vêem (srsrsrrs) metido eu ahn? E o corpo é legal também. E anda sempre fashion, vaidoso que dói... 23 anos.
E eu, eu me acho né...só isso. Tenho 1,75 de altura, cabelos e olhos castanhos. 65kgs. Corpo legal e bem definido... 25 anos. Quando saimos juntos, ninguém que não sabe, nunca poderia imaginar algo de nós. Muitos pensam que somos irmãos. Quando estamos em ambientes públicos a gente nunca se expõe.
Mas naquela noite. Tudo foi bom demais. Já era passado da meia noite e estava todo mundo já no pega-pega, a mulherada estava à solta e atacando geral. E eu e ele já tínhamos sido beijados mais de duas vezes por mulheres doidas, loucas, chapadas e algumas feias....rrsrsrrs mas tinha gatas a vontade.
Não me esqueço da primeira cena que vi. Uma moça, até bonitinha, que agarrou o Alê, na cara dura, chegou quase que me empurrando. E quando ela saiu fora eu olhei pra ele... e foi lindo. Ele abriu as mãos assim como quem queria dizer: eu não fiz nada! Não foi minha culpa. E rimos à solta. E eu perguntei: e ai?
__ Ahrhrssrsr, ele respondeu, gosto de cigarro e tava chapada. E riu...
E isso não foi só uma vez. Aconteceu comigo e com ele e com tantos outros caras ali naquela noite um montão de vezes. Já mais pra lá do que pra cá resolvemos zuar de vez, combinamos algo e fomos pro outro lado do povão. E ali ficamos conversando e rindo com cara de quem não quer nada. E ai vem a presa...
Se aproximam umas gatas, nem tão gatas assim... mas depois da meia noite.... ahn, ahn? Diz o ditado que todo gato é pardo, no caso aqui: toda gata é parda. Quando elas se aproximaram, o Alê se joga nos meu s braços e encosta o rosto sob meu pescoço. E eu falo: a gente se ama, a gente se ama... (rsrsrsrsrs). Que viu não entendeu nada. As meninas ficaram assim: chocadas, assustadas e já iam se afastando. Ai eu gritei:
__ Ei, ei, a gente só tá zuando com a cara de vocês. As meninas riram, mas sairam fora. E a gente riu gostoso da brincadeira e da cara delas. A única verdade é que a gente se ama de verdade....
Daí a pouco fomos pra casa. A gente até teve vontade se beijar na rua, na festa, na volta pra casa. Mas não dava né? Chegamos em casa rindo de nossa zuação. Fomos pro banho, nos beijamos apaixonadamente e a noite foi inesquecível.
É, nós sempre nos divertimos muito na companhia um do outro, somos mais que amantes, somos amigos apaixonados.
O Alê é sim, meu grande amigo e amor de minha vida. E mesmo que nosso amor não dure para sempre, será “um amor pra se recordar” por toda a vida. E depois também... E isso é tudo.


sexta-feira, 15 de maio de 2009

Minha História Partes 19 e 20

PARTE 19 – O SEPULTAMENTO DE MEU PAI

Foi numa quarta-feira triste. Talvez a mais triste de toda a minha vida. Mas não sei de onde eu consegui tirar forças para encarar aquele momento. É uma dor quase insurportável saber que você está perdendo uma parte de você pra sempre.
Por volta de meio dia eu comecei a pensar em como me despedir de meu pai da forma como ele merecia. Pelo homem que ele havia sido em minha vida e por todo amor que ele havia me dado. E passou tantas coisas em minha cabeça. Eu pensei em escrever um poema, fazer um discurso e outras coisas, mas nada parecia bom o suficiente. Foi quando me lembrei de sua última frase: EU SEMPRE VOU TE AMAR. E fiquei pensando, pensando. E me lembrei de quando dançamos em nossa formatura...
Claro!!! Eu toco violão. E tratei que alguém me conseguisse um violâo, o meu estava em minha casa. E que arrumassem a música: ( LOVE IS ALL AROUND – WET WET WET ). Assim entrei pro quarto e fiquei ali por um longo tempo ensaiando. Meus dedos quase deram bolhas, como doiam.
Saímos pro cemintério era três e meia da tarde. O descimento seria as cinco da tarde. Meu coração doia. As vezes eu pensava que aquela dor me mataria também. Eu e mamãe, Lívia e Pedro meus irmãos estávamos no mesmo carro com um vizinho. Enquanto eles choravam, eu permanecia abraçado ao violão...
Já a beira do túmulo eu disse que ainda nos restava uma última homenagem para meu pai e que eu queria conversar com ele. E fui lendo a tradução da música, lendo e chorando, ali do meu lado estavam meus irmãos e mãe (lágrimas). Mas diante de minhas lágrimas se aproximaram Cláudio, Breno e Alê. O Cláudio segurou a letra da música pra mim eu comecei a tocar e as lágrimas vieram e eram muitas e pareciam cortar minha face... parei e respirei fundo... ao recomeçar foi tudo bem... a música é mesmo linda e será para sempre a música de minha vida. Eu ainda cantava quando começaram a descer meu paizinho ( lágrimas ). Mas seu amor permanece comigo em todo lugar que eu vou e ele sabe disse.
Sempre te amarei paizinho... você é parte inesquecível em minha vida. Pra sempre eu vou te amar...

PARTE 20 – A VIDA SEGUE


Agora a vida continuaria, diferente, mas continuaria. Eu sabia do vazio que papai deixara em nossas vidas. E pensei como ficariam em casa... mas a vida tinha que seguir. Fiquei em casa mais quatro dias e voltei, pois eu já tinha que recomeçar no trabalho outra vez. E precisava dar mais tempo à minha relação com o Alê. Afinal os três meses passados haviam sido difíceis pra mim e claro pra ele também.
Mas afinal tudo era mesmo pra dar certo. À medida que fomos nos conhecendo, fomos nos descobrindo e nos identificando um com o outro. Fomos nos tornando amigos, irmãos, camaradas. O nosso namoro era muito diferente de tantos outros que eu via. Tinha hora que eu até pensava que a gente não se gostava a ponto de sentir atração um pelo outro. Mas quanto mais o tempo passava mais nos tornávamos amigos, cúmplices, companheiros e fomos nos tornando amantes apaixonados e comprometidos com a felicidade um do outro. Era e continua sendo muito comum ficarmos horas conversando, as vezes sem mesmo estar grudado um no outro.
Já são mais de dois anos de união e um ano e meio de vida sob o mesmo teto. E pra nós a alegria dos encontros e reencontros de todos os dias a noite é como se fosse o primeiro. Estamos sempre encantados um com o outro. A gente se surpreende todos os dias... e isso é lindo.
É claro que tanto carinho e amor, não está imune a coisas da vida tipo: ciúmes, discussões, e tals... mas sempre achamos graça no final... a gente se ama... se entende e sabe que vale a pena por tudo que já vivemos juntos e por aquilo planejamos viver ainda.

Parte final... a seguir...

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Amigos!!!

Então, eu imagino que vcs que estão acompanhando essa minha história de vida já devem estar cansados e pensando mas não chega ao fim nunca? Pois é, quando eu comecei a escrever eu pensei que em 6 ou 8 partes eu escreveria tudo. Mas me enganei feio. As lembranças estão vivas em minha mente, como se tivesse tudo acontecido ontem... Acho que inconscientemente, eu pensava que já havia esquecido grande parte de minha história. Mas escrever tudo isso tem sido uma grande terapia e muito positiva por sinal. Apesar das lembranças trazerem uma certa dor e saudade ( principalmente de meu pai) eu vejo que restou de tudo isso amor e um sentimento de missão cumprida de alguma forma.
Mas está chegando ao fim, mais duas partes e a parte final. Até o fim de semana eu posto tudo. Claro que tem muita coisa ainda, um tanto desse já postado ou mais que vai estar apenas no livro. ( Já recebi até pedido autografado do livro pode...? heheheheh. Mas eu prometo que será um prazer. E depois eu digo qual o objetivo do livro.
Depois para os curiosos heheheh.... vou postar o indíce provisório de meu livro (Uma auto biografia).
Abraços com carinho e amizade, do Jason....
Obrigado por partilharem comigo e por de alguma forma fazerem parte de minha vida. Gosto muito de ler os comments de todos no meu blog.

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Amigos!!!

Meus amigos e seguidores, eu e Alê estamos de volta, na verdade chegamos domingo de madrugada. O passeio foi maravilhoso, a Costa do Sauípe é paradisíaca e afrodisíaca também hehehheh... Todo mundo merece passar uns dias lá.
Bom minha vida boa acabou, daqui a pouquinho vou pro meu trabalho e férias agora só em Janeiro snif,snif,snif :(
Mas foi tudo de bom e é bom demais estar de volta também.
Me perdoem pelo engano, na postagem que eu disse que estávamos indo pra Porto de Galinhas, na verda era pra Costa do Sauípe. Eu não sei onde estava com a cabeça... nas nuvens, eu acho, ou era emoção demais... sei lá... me desculpem!
Abraços meu e do Alê pra vcs.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Minha História Partes 15 e 16


PARTE 15 – A FORMATURA: O GRANDE DIA

Nesse dia todos vieram pra formatura. Mamãe amou conhecer o Cláudio, eu fiquei até surpreso e ela agradeceu-lhe muito e o papai também. O clima era muito agradável. Apresentei o Breno pra mamãe e ela também o abraçou, o beijou e disse-lhe: obrigado por amar meu filho. E o Breno chorou, pela primeira vez eu vi o Breno chorar. Eu dei-lhe um beijo no rosto ali mesmo.
E passado algum tempo todos se prepararam para ir à festa. E tudo foi lindo. Ninguém consegue imaginar como foi.
Já era mais de uma da manhã e meu irmão me disse: Jason, como pode tanta mulher bonita aqui e você sozinho? E eu disse: é, e tanto homem bonito também e eu sozinho. Eu to sempre sozinho meu irmão, sempre sozinho. Mas nunca rolou nada com as mulheres? Elas nunca deram em cima de você? Perguntou Pedro. Já Pedro, já. Eu já fiquei algumas vezes. Mas falta química... sei lá. E começou uma música linda. Eu sou apaixonado com essa música ( LOVE IS ALL AROUND – WET WET WET )(Veja em: http://www.youtube.com/watch?v=TQQ6SfPZggw) E essa se tornaria pra sempre a música de minha vida. E nesse momento algo totalmente inesperado aconteceu. A Ana Eliza se aproximou e me chamou pra dançar. Tudo que eu queria era dançar com o Breno mas... fui com ela. Achei que Breno ficou com muito ciúmes, e ele confessara depois...mas nunca que a gente poderia dançar juntos ali, não ali.
Ali dançando, passou um filme em minha cabeça. Eliza é linda, parece uma sereia com seus olhos azuis bem brilhantes. Ela susurrou em meu ouvido: tudo bem! Tudo bem, eu sei! Mas eu te amo assim mesmo, esperei tanto tempo pra te dizer isso. E eu gelei. Mas nesse momento colei minha testa à dela e sua mão na minha, eu trouxe pra junto de meu peito. Meu coração estava disparado. E lágrimas brotaram em meus olhos. Eu não tenho culpa. O que posso fazer? Você sabe, mas entende? E ela disse: você esta sempre sozinho amor...Eu te vejo todos os dias... eu sinto seu coração... Você pode mudar a sua história...
Nessa hora eu pensei que talvez ela estivesse certa e que provavelmente eu seria mais feliz se namorasse uma mulher...mas a música acabou. E eu disse a ela que depois a gente voltaria a conversar e ela me disse eu vou esperar ( o resto da história com Eliza vai estar no livro).
E eu fiz uma loucura, que me deu na cabeça ali naquela hora. Eu olhei o papai sentado numa cadeira, abatido. Meu coração doeu. Ele passou quase toda a festa sentado. Eu fui até o DJ e pedi pra repetir a música que havia tocado a poucos minutos, ele relutou. Era a música que eu havia dançado com Eliza. Até que apontei pra papai e disse é pra ele, ele está doente, muito mesmo e eu quero dançar com ele. Ao repetir a música eu levantei o papai e o abracei e dancei com ele ali bem apertadinho. Ele quase não se mexia, acho que mais de vergonha de que por qualquer outra coisa. Mas ele chorou, na verdade choramos juntos (lágrimas inesquecíveis).

E ele me disse perdão meu filho. E eu: perdão papai... porque?
___ Por ter sido tão ausente em sua vida.
___Oh papai. Não diga isso... quando a música acabou o DJ ainda ensaiou algumas palavras que geraram alguns aplausos e lágrimas em meu pai e em mim. E pouco depois fomos embora...

PARTE 16 – A DOENÇA DE PAPAI

Quinze dias depois eu fui em casa, como já fazia sempre nas sextas-feiras a tarde. Papai surpreendemente me pareceu muito bem. Conversamos, contamos estórias e relembramos fatos no sábado pela manhã. Na parte da tarde papai foi deitar e ai conversei com mamãe.
___ Ele me parece tão bem mamãe. Ele tem se tratado melhor?
___ É meu filho, nesses dias ele tem estado melhor e falado muito em você.
___ Mas o que ele tem mamãe?
___É câncer Jason, é câncer. E não há muito o que fazer...
Eu chorei muito, meu mundo ruiu... mamãe me abraçou e chorou comigo... A partir dali meu mundo ganhou outra cor...
Já era quase cinco da tarde, eu estava sentado na frente da rua, na calçada. E lá veio papai, olhei pra ele, e ele parecia muito bem. Se aproximou e sentou-se perto de mim e conversamos.
___ Meu filho, ele disse. Espero mesmo que esteja e seja muito feliz. Eu me orgulho do homem que você é.
___ Oh papai! Eu nem sei o que dizer. E eu me orgulho de tê-lo como meu pai.
___ Mas sabe filho, você precisa de alguém na vida, não pode ficar sozinho. Na festa seu amigo me disse que você vive sempre sozinho.
___ Eu sei papai. Mas ainda estou novo. Acabei de me formar agora. Agora sim eu vou pensar nisso com mais seriedade. E conversamos mais um bom tempo...
E o tempo passou...
Parte 17 a continuar...

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Minha História Parte 13

PARTE 13 – SEGUNDA-FEIRA NO TRBALHO: A SURPRESA

Quando cheguei no trabalho na segunda-feira, com o cabelo cortado, sem cavanhaque, lentes e óculos, ninguém me reconheceu. Eu cheguei sério e entrei pra minha sala e notei que alguém sempre estava olhando meio estranho. Até que Manuela veio e me perguntou: e você quem é? E o Jason? Não vem? E sem olhar pra ela eu disse sou eu Manu! Ah!? Não é possível menino? Você enlouqueceu? E fez aquele estardalhaço... gente é o Jason, é o Jason... Cláudioooo, Manuela gritou, Cláudioooo vem aqui! O Cláudio vem e me olha e quase dá um treco, daquele jeito todo gay dele (risos). E ele ficou sem entender nada, até que conversamos. Eu realmente havia ficado muito diferente sem aquela fantasia toda. Afinal eu sempre me achava fantasiado. Dessa forma eu tirei um grande peso de meus ombros.
E quando cheguei na faculdade a noite as reações foram as mais diversas porém semelhantes às do trabalho e tome gozação e tinha gente que jurava não estar diante do Jason... mas enfim....eu agora estava mais leve e muito mais feliz, todo mundo mesmo sem saber de minha história, notava minha alegria.
Eu agora, quase todos os fins de semana ia pra casa... e o tempo foi passando...

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Minha História Partes 11 e 12

PARTE 11 – AINDA EM CASA

No sábado acordei por volta das oito e meia. Meu corpo doia. O folgado de meu irmão dormira ali do meu lado e claro ele pensou que estava sozinho na cama, que era de solteiro. Tirei o braço dele de cima de mim, ele resmungou alguma coisa que eu não entendi. Fui ao banheiro e na volta vi minha mãe na cozinha botando a mesa do café, uma mesa simples rodeada de cadeiras velhas. Mas parecia que tudo era perfeito, mesmo meu outro mundo sendo bem diferente, ali pra mim era o paraíso. Voltei ao quarto e tratei de acordar meu irmão, afinal eu queria tomar café com ele. Fui pra cozinha abracei e beijei minha mãe, foi o abraço mais longo de minha vida e o beijo mais cheio de lágrimas, choramos juntos e eu enchuguei as lágrimas dela com minhas mãos. Tudo bem, tudo bem mãe, eu to aqui.
O café foi compartilhado por meu irmão e mamãe. Papai e minha irmã Lívia já haviam ido trabalhar, mas estariam no almoço a mamãe falou. Assim depois do café eu e Pedro saimos para a rua. Alguns curiosos se aproximavam de nós outros ficavam de longe nos olhando. Engraçado que eu me sentia famoso (risos). Passado alguns minutos Pedro me convidou para dar uma volta de bicicleta no bairro. E realmente tudo estava bem diferente. Mas aos poucos eu me sentia no meu lugar. Mas eu já sabia que eu estaria voltando pra Brasília. E reencontrei a Flaviane. Ela chorou e me bateu também, se ela soubesse que eu estaria fugindo de casa naquele dia, ela disse: jamais teria atendido meus pedidos (sobre a carta e o bilhete). Daí eu e Pedro voltamos pra casa já era quase meio dia.

PARTE 12 – ALMOÇO E MAIS CHORO: A HORA DA VERDADE!


Era uma hora quando mamãe preparou a mesa do almoço. Era o mesmo cheiro de antes. Incrível como tudo permanece gravado em nossa mente. O almoço começou alegre e com muitos sorrisos e lembranças de nossas peripécias de infância. Mas depois do doce eu tinha que falar. Afinal eu tinha voltado não só pra revê-los e também não era para jogar na cara de minha mãe que eu tinha vencido na vida e coisa e tal. Acima de tudo eu sabia que estava alí porque apesar de tudo eu sempre quis estar de volta. Resperei fundo e disse:
___Bom gente, é muito bom estar de volta, desde o dia em que sai por aquela porta eu sonhei com esse dia de estar aqui novamente. Da mesma forma por onde eu andei eu nunca fui feliz, sempre estive contente, mas feliz eu sou aqui entre vocês. Esse fim de semana tem sido muita felicidade. Obrigado por me receberem de volta com tanto amor.
Mas cinco anos atrás quando eu sai dessa casa, eu tinha um desafio. Apesar de eu ser um pobre menino de periferia, apesar das feridas que eu abri em vocês e em mim também, tudo aconteceu como tinha que acontecer. Mamãe, do seu jeito, só me fez bem (lágrimas). Quando ela me disse que eu só poderia morar nessa casa se fosse homem o suficiente, tenho certeza que assim como eu, ela não sabia o que isso significava. Eu não sabia e acho que ainda estou construindo isso. Mas batalhei duro pra poder voltar aqui hoje. Eu trabalhei duro, sofri, chorei muitas noites e quase sempre choro. Mas eu estou vencendo aos poucos e “eu nunca tive que fazer nada feio ou supostamente errado”, nunca usei droga, nem roubei e nem vendi meu corpo (lágrimas coletivas)...
Deus colocou em meu caminho pessoas maravilhosas que me fizeram ser quem eu hoje sou. E pra mim hoje ser homem o suficiente é isso: ter coragem de estar aqui diante de vocês abrindo meu coração. Papai chorou muito nessa hora... e minhas lágrimas escorriam sem parar também enquanto os outros as vezes soluçavam. Hoje eu quero que vocês saibam que eu sou sim homossexual, mas sou homem, tenho cárater, dignidade. Sou honesto e justo com as pessoas. Posso não ser o modelo de pessoa. Mas quem é? Eu nunca ganhei nada de mão beijada na vida. Eu sofri, ralei mesmo. Estudei, não abri mão de aprender e ter uma profissão, estou quase concluindo minha faculdade, sou independente. Tenho uma vida decente e de muito respeito por mim mesmo, por meus amigos e por vocês.
E mesmo que doa muito em vocês, porque dói em mim também, hoje eu sou o homem que devo ser. E você mamãe, mesmo tendo sido da forma errada, você me fez ser quem eu sou. E saibam que estou muito feliz.
E pra terminar, saibam que pra mim, indecente e imoral pode ser muitas coisas. A violência, o preconceito, a guerra que mata inocentes, a fome que mata crianças em tantas partes do mundo, a corrupção e tantas outras coisas... Mas amar? Amar é divino, é humano...(lágrimas coletivas).
Papai, Pedro olhem pra mim, eu não tive a mesma chance que vocês. Eu não escolhi ser quem sou. Mas estou feliz. Olhem pra mim, vocês conseguem ver o homem que sou? Conseguem? Eu sou apenas mais um homem que gosta de outro ( lágrimas), meu irmão se levantou e me ofereceu um copo com água e me abraçou.
Eu me orgulho de vocês, amo vocês do fundo de meu coração. Quero que vocês façam parte de minha vida daqui pra frente. Tudo que eu preciso é do amor de vocês, que vocês se orgulhem de mim se puderem, que me perdoem pela dor que causei em vocês. E se vocês me aceitarem eu sempre estarei com vocês.
Como assim perguntou papai?
___Papai, estou fazendo faculdade, já quase no fim. E tenho meu trabalho em Brasília, morar aqui novamente agora não dá mais. É impossível, ele chorou muito... acho que ele já sabia que estava doente.
Já era quase cinco da tarde quando saimos da mesa todos cansados de chorar. Mamãe e minha irmã não haviam dito nada. Eu fui pro quarto e dormi por mais de meia hora. O fim de semana foi longo e maravilhoso, cheio de tudo, alegria, perdão, amor, lágrimas e despedidas também. No domingo, logo depois do almoço eu voltei pra Brasília e prometi que voltaria sempre e dali pra diante eu realmente sempre estava em casa. Mas alguma coisa me preocupava no papai, mas ele nunca se abria comigo...
PARTE 12 a continuar...

terça-feira, 5 de maio de 2009

Minha História Partes 9 e 10

PARTE 9 – O ANTIGO NOVO VISUAL E O RETORNO A CASA

Logo que terminou as aulas, meu coração gelou. Era tudo que eu queria, mas deu um medo enorme. Mas não falei nem com o Cláudio nem com o Breno sobre meu plano, agora eu queria agir sozinho. Era hora. E assim foi. Pedi pra trabalhar só até meio dia na sexta-feira. Logo que sai do trabalho passei no salão e radicalizei. Cortei o cabelo que sempre esteve à altura do ombro. Cortei baixo nas laterais e arrepiei por cima. Cheguei em casa tirei também o cavanhaque que já me acompanhava por mais de 2 anos. Retirei as lentes e dessa vez era para sempre, pois nos últimos anos eu sempre as usei. Parecia que eu nem lembrava da cor dos meus olhos. E claro nada de óculos fashion também. Larguei literalmente a fantasia. Quando estava pronto pra sair, me olhei no espelho. Eu queria tanto ser homem o suficiente... mas será que era eu mesmo? Será que eu já era esse homem? Pensei... vou ou não? Como desistir agora no meio do caminho.
Já era por volta das quatro horas da tarde quando sai de casa. Tomei o ônibus pra minha cidade e ainda pensei: já imaginou se alguém me reconhecer justo agora? Bobagem. Daí a pouco cheguei na minha cidade. No centro, tudo tão diferente de cinco anos e meio atrás. Já havia passado das cinco e se nada tivesse mudado, todos estariam em casa. Peguei um taxi e disse pra onde me levar. Fui arregalando os olhos, muita coisa estava diferente. E eu disse com voz trêmula: faz tanto tempo que não venho aqui, tudo esta diferente e o motorista disse: é a cidade cresce rápido e as coisas mudam. Em 15 minutos chegamos em frente a minha casa, que era a mesma, só a cor havia mudado. Paguei o taxi e desci. Já estava começando a escurecer ( lágrimas ). Me lembro como se fosse hoje. Respirei fundo e toquei a campainha e isso já era novidade naquela velha casa no fundo do quintal. Minhas pernas começaram a tremer... daí a pouco uma mulher aparece na porta e vem lentamente em minha direção. Era mamãe que de repente me reconhece e corre abrindo o portão, foi um desespero (lágrimas) e me abraça e começa a gritar o Jason tá aqui, ele voltou, meu filho voltou. Todos saem correndo de casa. Meu irmão ao ver-me, me abraça e fica aos berros gritando o junin voltou, ele tá aqui! Ele tá aqui. Alguns vizinhos se aglomeraram em frente do portão. Meu irmão me abraçava e me dava cascudos. Papai chorava discretamente e me abraçava. Todos nós chorávamos. Que noite! Que longa noite!

PARTE 10 – DEPOIS DA CHORADEIRA A HISTÓRIA

Entramos pra dentro de casa. Na rua o movimento de curiosos foi grande e meu irmão esteve por lá um pouco, ele não se continha de alegria. Mamãe foi preparar o jantar e todos nós ajudamos. Meus irmãos sempre me beijavam. Até que minha irmã disse pensamos que você havia morrido. O papai como sempre mais calado. Mas eu via que ele sempre enchugava as lágrimas.
Fomos jantar já era mais de nove da noite. E foi um jantar especial. Ficamos à mesa até tarde eles me perguntavam mil coisas. E meu irmão ficou indignado quando soube que eu estava o tempo todo muito perto. Falou até em processar a polícia (risos) e eu disse eu me escondi e disfarcei muito bem. E mostrei fotos, muitas fotos. Eles não acreditavam. É não dava mesmo pra te reconhecer disse meu irmão. E eu pensei: como é bom esta aqui agora... a hora já ia longe... era hora de se preparar pra dormir. Papai dava ares de cansado.
Quando entrei no quarto notei minhas fotos ainda na parede. As camas ainda eram as mesmas e bem mais velhas... mas aquilo era o paraíso. O mesmo cheiro... mamãe trouxe toalha de banho e me lembrei da cena de quando eu ia saindo daquele quarto. Tomei banho e me deitei. Quando meu irmão chegou do banho eu já cochilava. Ele me perguntou já ta dormindo?
___ Eu disse: não.
___ Ele se aproximou e disse: chega pra lá. E foi deitando ao meu lado. Se lembra de quando a gente tinha dez ou doze e que dormíamos na mesma cama? Eu disse sim. E passou um filme em minha cabeça em questão de segundos.
___ Eu senti muito sua falta. Nós todos sentimos e sofremos. Você não vai embora de novo, vai?
___ Eu tenho que ir.
___ Mas porque? Seu lugar é aqui. Não tem nada a ver...
___ Nada a ver o quê? Eu perguntei.
Eu sei porque você foi embora. A gente te ama assim mesmo. A mamãe apenas não soube como lidar com a situação naquela época. Hoje tudo mudou. Ela fez terapia para superar o sentimento de culpa e a perda. Mas isso nunca aconteceu. Todos nós tivemos que ir em encontros de terapia. A mamãe nunca mais foi a mesma. Ela chora sempre.
___ Eu também Pedro, eu também choro. E dormi. Ainda notei, já adormecido que Pedro queria conversar mais. Mas como eu havia adormecido ele apenas me beijou na nuca e percebi que ele permaneceu ali do meu lado...
parte 11 a continuar...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Minha História Partes 7 e 8

PARTE 7 – O CLAÚDIO EM MINHA VIDA

Um verdadeiro anjo e um grande amigo. Morei no apartamento dele de junho de 1999 a maio de 2004. Ele na época tinha 28 anos de idade. E além de se tornar um grande amigo e confidente, partilhamos nossas histórias de vida, nossos sonhos e conquistas e ele sempre me motivava e dizia: nunca tenha medo, nunca! Mas ele raramente falava da família dele. Eu via que seus pais e uma irmã ligavam algumas vezes. Ele as vezes ligava também. Nesse tempo que morei na casa dele, ele foi visitar a família apenas três vezes.
O Claúdio sempre me ensinou coisas boas, sempre me motivou. E esse tempo que estive na casa dele pra mim foi uma outra faculdade. As coisas que aprendi ali eu as tenho guardadas no coração e vão permanecer pra sempre. Ele sempre me ensinou a me valorizar a nunca me expor e que nunca deixasse que me usassem. E isso pra mim sempre valeu ouro. Foram essas coisas que me mantiveram no propósito de ser o que hoje eu sou. Foi assim que eu pude provar pra mim mesmo e pra minha mãe que ser homem o suficiente, não tem nada a ver com orientação sexual, mas sim com postura de vida.
Essa meia obsessão, fez com que meus relacionamentos não dessem certos, eu era exigente demais e quase sempre os objetivos eram muito opostos.
No início de meu segundo ano na faculdade o Cláudio me conseguiu um estágio na repartição de trabalho dele. O estágio depois foi renovado por mais seis meses e no fim de um ano eu fui contratado. Parecia que o universo conspirava a meu favor. Mas nem tudo foi flores. Se eu resolvesse falar das perdas, dos fracassos, seria pior. Mas afinal eu estou falando de coisas boas... Deus colocou pessoas boas na hora certa em minha vida. Tudo que sou devo ao Cláudio e ao Breno, minha história certamente seria outra sem eles. Se tenho mérito... eles também! Eu e o Breno éramos amigos já a muito tempo. As vezes a gente ainda ficava, mas era mesmo carência e uma certa saudade.
O Cláudio era de fato meu anjo da guarda. Era ele que respondia por mim em tudo. Ele era o irmão mais velho, o responsável ou o tio ou primo, era tudo que eu precisava que fosse e ka entre nós muito gay rsrsrrsrs. Eu sempre falava com ele: tu é muito gay e ele me dizia: fazer o que né? Não tive a sua sorte! A gratidão que tenho por ele é eterna e não tem preço, ele sabe disso. Mas eu não poderia ficar mais embaixo das asas dele...
Assim, em outubro de 2003 eu decidi que precisava morar sozinho, isso me ajudaria a me situar melhor no mundo. Eu ainda era muito dependente dele e muito protegido também, mas nunca sufocado. Ele sempre me deixou livre, tenho que ser justo. Mas morar sozinho e conquistar meu espaço era uma meta que eu não podia abrir mão. Quando falei com ele sobre isso, a princípio ele não concordou, achou que eu não estava sendo justo e na verdade não parecia mesmo. Mas depois ele entendeu o quanto importante isso seria pra mim no meu processo de ser homem o suficiente... pra viver sozinho. Então ele me apoiou e até me ajudou a encontrar e a alugar um flat ( pequenino) mas bem bonitinho e perto de onde ele morava. Ele me disse: é melhor aqui pois eu quero te ver todos os dias, e eu disse: oh Cláudiooooo, a gente trabalha juntos... ah é... ele respondeu (risos).

PARTE 8 – MORANDO SOZINHO

Apesar de eu ter me decidido morar sozinho, não foi algo que aconteceu logo. Só em maio de 2004 eu finalmente me mudei. Nesse dia o Claúdio chorou. E mais uma vez me lembrei do dia em que sai de casa. Passou um filme em minha cabeça outra vez. Já havia se passado 5 anos desde que eu saira de casa e naquela hora eu tive a sensação de que ninguém nunca havia se interessado em me encontrar. Será que teriam desistido de mim? Eu estava tão perto de casa... as vezes eu desejava ser encontrado, só pra ver o que aconteceria.
Até o Breno havia sumido, fazia uns seis meses que eu não o via. Ele me ligou apenas duas vezes nesse período e eu devo ter ligado umas duas. O Claúdio as vezes me dizia que ele estava bem. Mas eu sentia saudade dele também. Mas pra minha surpresa, lá estava ele no dia de minha mudança. O Cláudio o havia avisado. Assim os dois me ajudaram a carregar as poucas coisas que eu tinha. Mas o Cláudio havia combinado com os amigos de fazerem um happy hour em meu flat para inaugurar e os 12 convidados teriam que levar algum utensílio, cara foi legal!!! Foi um charme.
Era uma hora da manhã quando os convidados começaram a sair. Ficou apenas o Cláudio e o Breno. Um pequeno silêncio... e agora? Acho que todos pensaram assim ao mesmo tempo. E eu agradeci a eles por tudo. Mais uma vez minha única família nos últimos anos estava ali do meu lado e eu saindo de casa outra vez... eu fiquei imaginando: o que seria de mim sem eles? Será que eu teria sobrevivido? Não, eu certamente, teria voltado pra casa numa situação pior e mais vergonhosa ainda...
Quando eu termineir de agradecer o Cládio chorou de novo, mas me disse que era de felicidade. E no fundo era mesmo. Ao me ver vencendo ele também se sentia um vencedor. Era como se ele tivesse me adotado como filho. Ele disse que ia embora, se despediu de mim e do Breno que havia apenas cochichado em meu ouvido algo como: quero ficar com você essa noite. Eu apenas sorri em retorno e me lembrei do dia em que cheguei na casa do Cláudio. Eu e o Breno fomos tomar banho, depois nos deitamos, já era quase três da manhã mas foi muito bom e logo dormimos...
No sábado levantamos mais tarde. Daí a pouco o Breno se foi e sumiu por mais alguns meses. A tarde, já organizando as coisas e planejando os próximos passos, me deu um aperto no coração, medo, incerteza... e eu decidi que já era hora de voltar atrás e rever minha família, acontecesse o que acontecesse, mesmo que eu fosse escurraçado de casa de novo eu deveria fazer isso. Mas quando? Eu estava estudando e trabalhando. Assim decidi que logo que terminasse o semestre da faculdade, num fim de semana. Faltava pouco tempo, estávamos em maio. Nesse tempo fui me preparando psicologicamente para as mais diversas reações possíveis...
Parte 9 a continuar...

Minha História Partes 5 e 6

Parte 5 - NOVO DIA, NOVA VIDA, NOVO VISUAL

No sábado levantamos já quase nove da manhã, foi maravilhoso acordar ao lado do Breno, era a primeira vez, foi tão legal vê-lo ali do meu lado cuidando de mim, me protegendo, ele me amava de verdade, só podia ser amor.
Acho que o Claúdio passou a noite imaginando coisas e criando formas de me esconder. Já de manhã ele tinha todo um plano montado. No café ele falava, o Breno ria de seus jeitos e eu arregalava os olhos... Mas tudo que aconteceu comigo nos cinco anos e meio que fiquei sem ver minha família, só aconteceu por causa do Breno e do Claúdio, eu devo tudo a eles. Ele planejou uma vida nova e um visual novo e me garantiu que eu poderia andar sem medo por todos os lados, na verdade eu tive medo por muito tempo, mas quanto mais o tempo passava, mais o medo ia se desfazendo.
O Claúdio é funcionário público na área da educação e muito bem relacionado. Em outra parte falo mais dele. Assim naquela tarde de sábado, ele me levou num salão e mandou clarear mais o meu cabelo e fazer luzes. Pra mim que já tinha os cabelos castanhos, achei que ficou legal. Dali me levou para escolher óculos, sem grau, mas bem fashion, escolhemos um legal de armação preta para contrastar com as luzes do cabelo. E a noite ele me deu um par de lentes verdes, pois meus olhos sãos castanhos, no início eu relutei, mas acabei cedendo. A noite saímos, ele me apresentou a alguns amigos e eu fui o centro das atenções, mas ele não disse nada de minha história de fuga, aliás isso ficou todo o tempo entre eu, ele e o Breno, que ao me ver se assutou como meu novo look. Até eu estava me sentindo estranho era como se outro cara tivesse entrado em mim... Mas na verdade tenho que reconhecer que o Claúdio fez milagres. Naquela noite, quando voltei pra casa eu me olhava no espelho e nem eu mesmo me reconhecia, era literalmente outro Jason.
Uma semana depois eu já estava numa sala de aula, de uma escola particular e o pior com um nome falso. Eu agora seria o Jean Paulo. Parece coisa de novela, mas é verdade e tudo isso me custou muito sofrimento, dor, medo, tristeza (lágrimas) até hoje eu choro quando lembro de tudo que passei.
Todos os dias quando eu deitava eu pensava em minha família. Já havia passado uma semana. Como estaria sem saber onde eu estava? O que estaria fazendo? Estariam tristes e me procurando? E a polícia estaria mesmo empenhada em me encontrar? E se me encontrassem? O tempo foi passando. E eu até estava contente. Mas feliz eu nunca mais havia sido desde o dia em que saí de casa. Minha felicidade só voltou no dia em que eu os revi, cinco anos e meio depois. Foi muito tempo, eu sofri, só eu e Deus sabemos. Ninguém pode imaginar o quanto de lágrimas eu devo ter chorado no escuro de meu quarto. O tempo foi passando apesar de tudo eu fui me acostumando com a situação. Deixei o cabelo crescer um poco e o nome Jean já fazia mesmo parte de minha nova identidade. Até o Breno as vezes me chamava de Jean. E também minha relação com ele chegou ao fim. A gente se gostava muito, mas tínhamos pouco tempo para nos ver. Hoje somos dois grandes amigos, amigos que se amam. O Breno fez tudo que alguém que diz: “eu te amo” deveria fazer por seu amor. Ele me provou isso muitas vezes. E o tempo passou...


Parte 6 – MINHA FORMATURA DE 2º. GRAU

Eu sempre quis ter uma festa de formatura. Mas eu só apareci no baile. Na colação de grau mesmo eu não poderia ir. Essa parte do porque, seria longa demais para explicar. Novamente o Claúdio fez milagres pra meu histórico e diploma sairem no meu nome verdadeiro e ainda ficar em sigilo absoluto. Eu teria que ter esses documentos no meu próprio nome ou mais tarde me daria problema. Em uma outra parte vou falar como foi a história de minha carteira de identidade. Se meu diploma e histórico não fossem expedido em meu nome verdadeiro eu teria que ser o Jean Paulo pra sempre, afinal eu iria fazer faculdade e já na faculdade meu nome foi o real.
Eu já acostumado com o novo visual, que já passado mais de dois anos nem era novo mais, a única novidade é que acrescentei um cavanhaque em meu visual, assim eu vivia como se tudo estivesse normal. Mas em cada faze nova o medo me assombrava e eu sabia que eu ainda não havia alcançado meus objetivos todos. E no fundo eu sabia que eu era aquele menino pobre, da periferia da cidade. Eu ia completar 18 anos e ia fazer vestibular. E isso era agora o mais importante pra mim. No dia em que eu peguei meu histórico e diploma, ali morreu o nome Jean. Mas o medo aumentou em minha cabeça. Assim fiz inscrições em três faculdades, apesar do medo eu nunca desisti das metas traçadas.
Passados esses dois anos e meio, eu ainda trabalhava entregando marmitas e jornal, mas estava prestes a conseguir um trabalho de office-boy que um cliente de jornal estava me arrumando. O Claúdio disse que me arrumaria um trabalho, mas o tempo foi passando e ele nada. Até que um dia eu ouvi ele dizendo pro Breno que eu deveria ralar mesmo. Pra valorizar minhas conquistas e ele estava certo. Mas um tempo depois ele me arrumou um trabalho, mas falo disso depois.
Apesar de já ter passado dois anos e meio que eu saira de casa, quase todas as noites eu ainda chorava de saudade e as mesmas perguntas se passavam em minha cabeça: como estariam? Teriam desistido de mim? Estariam sofrendo? Muitas vezes eu pensava em desistir e correr pra casa de novo...
Fiz três vestibulares e passei em dois e fui fazer administração. Na faculdade pra todo mundo eu era o Júnior ou o júnim... e logo, logo eu comecei a trabalhar de office-boy, o trabalho não era lá essas coisas, mas era melhor que entregar jornal pela manhã e marmitas no almoço... e quando estava chovendo... eu sempre saia de casa cedinho 5 da manhã pegava os jornais e era uma longa jornada... mais tarde um pouco as marmitas. Já como office-boy e na faculdade eu já começava a sonhar com algo melhor... eu queria logo fazer um estágio em minha área de curso. Mas o tempo foi passando...e lá se foi o primeiro ano de faculdade.
Parte 7 a continuar...

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Minha História

INTRODUÇÃO

Uma história de amor, superação, perdão, lição e vitória: minha vida.

Amigos que me acompanham e visitam o blog. Vou compartilhar com vocês um pouco da história de minha vida. Talvez não seja interessante pra muitos, mas talvez seja motivo de inspiração pra alguém. Afinal muitos de nós temos histórias parecidas e enfrentamos situações bem semelhantes. Talvez minha história sirva pra mostrar que é possível vencer se a gente realmente quiser. É possível superar mágoas, vencer, perdoar e ser feliz sem traumas. TUDO PODERIA TER DADO ERRADO EM MINHA VIDA, MAS NÃO DEU. EU FUI EXPULSO DE CASA COM 15 ANOS. E só voltei a ver minha familia quando eu tinha 21 anos. Eu fiquei todo esse tempo sem mesmo ter notícias de meus familiares e sofri com isso. Nesse intervalo de tempo se passou 5 anos e meio. Nesse tempo, quando voltei em casa eu vivi a mais linda história de amor que jamais sonhei viver ao lado de minha família. Foi uma história de alegria, sofrimento amor e morte. Mas afinal tudo isso é a vida em todas a suas nuances. Na minha vida apareceram as pessoas certas no momento certo e isso fez de mim um vencedor.

Aos 22 anos conheci o Alê, um grande amigo, companheiro, amante, cumplice e um "amor pra se recordar" pra toda a vida e depois também.
Essa história vai ser longa. E será contada em partes e em partes suscintas. Toda a história em seus detalhes pretendo publicar no ano que vem em meu primeiro livro.

Espero poder postar aqui no blog pelos menos duas partes por semana. Se eu tiver tempo posto mais vezes.

Meu caros o amor é sempre maior que tudo e as vezes só mesmo na dor podemos ver o quanto ele é belo e surpreendente e meu paizinho me ensinou isso... Aguarde a primeira parte...