terça-feira, 17 de julho de 2012

Entre o Devir e o Existencialismo as linhas da "nadificação"
O Gusta fernandes, fez uma excelente postagem sobre o devir de Heráclito, aquele discurso de que  não podemos entrar duas vezes no mesmo rio, que não somos a mesma pessoa entrar no rio cada vez que entramos e blá, blá, blá. Quanto a essa teoria, nada a discutir. Do ponto de vista da história da filosofia é mesmo verdade, não matemática, não indiscutível.
Minha postagem hoje vai apenas discutir o existencialismo sartreano. Visto que em meu comentário no blog Mundo Gusta, eu disse que a “nadificação” é uma re-leitura contemporânea do  devir de Heráclito, ao que meu oponente intelectual disse-me que o nada, é sempre nada e não pode deixar de ser nada. Talvez do ponto de vista da metafísica isso seja uma verdade. Mas não do ponto de vista do existencialismo. Por que? Porque segundo Sartre, o homem é o único ser que ao nascer, não passa de um miserável ser sem essência, sem significado algum. O qual tem em si apenas a condição de existência em absoluta dependência de seus genitores, do contrario definharia até a morte, mesmo antes de se tornar alguém. Verdade incontestável. Mas partir do momento em que esse pobre ser vai ganhando estatura e tomando consciência de sua EXTRAORDINÁRIA  res cogitans, ou seja, aquilo que vai se tornando coisa pensante, então sim, ele começa a sair do “nada” no qual se encontrava e agora parte para uma desesperada tentativa de dar significado a sua existência. É isso que eu estou fazendo, é isso que você está fazendo. É isso que inconscientemente todo mortal pensante faz. Nossa res cogitans (teoria decartiana) nos impede de não darmos significado a nossa miserável passagem pelo que ele chamaria de res extensa.
Mas vamos voltar ao existencialismo sartreano.  Sartre então afirma que não importa o quanto nos esforcemos para nos melhorar, não importa todo nosso investimento intelectual e material, para sairmos do nada que somos, nós sempre vamos nos deteriorar e o que nos aguarda é inevitavelmente a morte. A “nadificação” de nossos projetos, que serão impiedosamente interrompidos em definitivo. E por conseguinte, dessa vez nos aniquilando, nos transformando em pó, em algo menor do que quando erámos um nada. Pois daquele momento ainda tínhamos uma existência que poderia ser cultivada por nossos genitores até que pudéssemos por nossas forças cuidar de nossa res cogitans.
Enfim, sem instigar controvérsias, sem enfretamentos intelectuais e mesmo sem discussões fundamentadas em subjetivismo. O nada, nada é. Mas ele é no homem uma res cogitans caminhando para o seu contrário. C’est fini.

4 comentários:

Gusta Fernandes disse...

Ótimo post!!!

Definitivamente no ponto do existencialismo não temos sombra de dúvidas que nascemos, e o nosso princípio é o nada, e morreremos, nos tornando nada. Acho que o único que foge a regra é o Highlander, o imortal kkkk...

Efeso fala da essência, de um ciclo, da vida. A mudança constante, o devir.

Ser um nada e morrer um nada é um fato, é o nosso destino mas, é nesse caminho para nadificação completa que você deixa de ser um nada. É nesse momento que tudo muda, não é citado o futuro (a morte), e sim o passado e o presente, aprendizado e atual forma de levar a vida. O fim será o nada, a morte... essa é a única certeza.

Sartre é nosso guru do azar, prevendo o fim, sempre! kkkkkkk...

@JayWaider disse...

É exatamente esse o ponto. Mas o interessante é que mesmo diante dessa consciência, estamos sempre nos deparando com a necessidade de acreditar no contrário, talvez como única possibilidade de nos situarmos no mundo e sermos aceitos na sociedade. Pensar diferente já é um diferencial... e eu gosto disso.

Gusta Fernandes disse...

Meu eu romântico, me faz pensar que o amor nos faz querer uma realidade diferente.
Quando amamos alguém, de um forma forte, queremos acreditar que a morte não seja o fim. O nada é duro por isso. Imagina tudo o que você viveu se transformar e pó.

Acho que esse é o destino que todo mundo não quer ter. Todos querem viver um pouco mais por algum motivo ou deseja que alguém viva um pouco mais para não sentir a perda.

O realismo é contra o sentimento por ser abstrato.

Cris Guimarães disse...

Me fez pensar...e relembrar um querido professor de Análise Existencial que dizia sempre a mesma coisa: "Nada antes, nada depois...sempre durante, e só!"

Obrigada por esse momento...