sábado, 2 de maio de 2009

Minha História parte 1 e 2

Parte 1

EXPULSO DE CASA AOS 15 ANOS

1999 em uma cidade satélite de Brasília. Dois anos atrás eu me despertaria para sentimentos e desejos incomuns em minha vida até então. Mas a partir daí, eu me consideraria apenas um homem que gostava de homem. Eu me considerava assim como muitas pessoas, mais maduro do que a idade que eu tinha. Assim, alimentava desejos, sonhava, mas nada além disso. Até que conheci o Breno em maio de 1999. Eu com 15 anos recém completos, ele com 18.
Foi ele o primeiro homem que tocou em mim, que me abraçou. Ele me beijou com carinho, ternura e delicadeza. Ele verdadeiramente me amou. As vezes eu o olhava e ficava imaginando: como um homem no sentido mais acertado da palavra pode gostar de outro assim e ser tão amável, tão doce? E eu me apaixonei por ele. Ficamos juntos pouco tempo até que eu tive que sair de casa. E nesse tempo a gente se via muito pouco, morávamos longe um do outro e eu não tinha muito como sair de casa, eu ainda era novo e tinha sempre que ajudar minha mãe nos afazeres de casa. Mas o Breno era muito amável e carinhoso comigo, apesar de eu ter apenas 15 anos ele me respeitava muito e estava sempre disposto a me ajudar. E me ajudou muito. Os olhos castanhos dele brilhavam quando ele estava comigo. Tudo parecia eterno quando estávamos juntos.
Foi então que minha mãe descobriu. Alguém da vizinhaça contou pra ela que havia visto eu e o Breno juntos de mãos dadas em algum lugar... Assim minha mãe passou a controlar-me e vigiar-me mais. E quando ela realmente soube, quis me bater, me xingou e dois dias depois me disse o seguinte:
___ Júnior você escolhe entre ter uma vida decente dentro de casa ou vai viver essa indecência fora daqui. Aqui nessa casa não há espaço pra você se você não é homem o suficiente.
Eu fiquei calado, meu peito doeu como nunca. Parecia que ia me faltar o ar. Eu quis chorar, mas nem força pra isso tive naquela hora. Depois fiquei pensando o que ela queria dizer com: “ser homem o suficiente”.
Afinal eu não era um “gayzinho” ou uma “bichinha” ( por favor não me entendam mal quando uso esses termos, não é preconceito, mas é só pra dizer que é assim que somos vistos na maioria das vezes). Eu me comportava e sempre me comportei como um homem e sempre me definia pra mim mesmo como um homem que gosta de homem. E então o que seria ser homem o suficiente? Você sabe?

PARTE 2

ARQUITETANDO A SAIDA DE CASA

Depois de muito pensar eu quis ir embora de casa. Eu queria descobrir o que seria ser homem o suficiente e eu jurei que ia provar pra minha mãe que eu era esse tipo de homem. Assim comecei a planejar minha fuga. Mamãe me tratava mal e me ignorava. Já era fim de maio e a escola que eu estudava teria uma excursão em duas semanas e eu iria. Era a oportunidade certa. Mas pensei: e depois pra onde vou? Sozinho, pobre, sem dinheiro e apenas um menino como eu iria sobreviver?
Procurei um jeito de ver o Breno e falei com ele. A princípio ele achou loucura, mas depois decidiu me ajudar. Disse que ia tentar um lugar pra mim ficar com um amigo dele e que me daria uma resposta em três ou quatro dias. Em casa minha mãe continuava a me tratar como se eu fosse a pior das criaturas na terra. Um dia chegou a me dizer: “não sei como fui capaz de gerar isso”. Como me machucou. E me doeu mais ainda porque eu sou homem nos gestos, postura e modo de falar. Não tenho jeitos e nem trejeitos. Apenas gosto de homens, o que há de tão abominável nisso?
Meu irmão e irmã estranharam o modo que mamãe me tratava nas duas últimas semanas. Meu irmão chegou a me perguntar eu disse: “a gente discutiu só isso, logo vai passar”.
Assim passados quatro dias o Breno disse que já havia arrumado um lugar pra mim, que eu podia confiar que tudo ia dar certo. Já era segunda-feira e a excursão seria na sexta, eu tinha pouco tempo. Mas seria fácil fugir sem levantar suspeitas, afinal eu estaria indo para excursão. Assim escrevi uma carta, que seria entregue a minha mãe por uma amiga minha, ela entregaria a carta no domingo a noite. E escrevi um bilhente com uma assinatura falsa de minha mãe pra ela entregar a professora pouco antes da excursão sair, mas esse bilhete eu só entreguei pra Flaviane quando ela já estava indo pra excursão, ela nem teve tempo de me fazer muitas pergutnas. O bilhente dizia que eu estava doente e que não iria mais à excursão. E na carta eu dizia que não sabia como ser homem o suficiente dentro daquela casa e que talvez eu aprendesse a tempo dizer pra ela. E que talvez ela nunca tivesse me ensinado... e que eu iria fazer de tudo pra aprender bem... que um dia ela iria ouvir falar de mim (lágrimas). Fiz a Flaviane jurar que só entregaria a carta no domingo a noite por volta das sete da noite, quando a excursão retornaria. Quando eles descobrissem que eu havia fugido de casa, que não tinha ido a excursão, já teria feito dois dias eu estaria longe, longe... mas eu nem sabia onde...( parte 3 a continuar...)

9 comentários:

Wise-Boy disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Wise-Boy disse...

Nossa amigo que história, e o mais legal saber que apesar de tudo isso que passou, você venceu! e a sua mãe vcs se falam agora?
que venha a parte 3

Bom domingo.

Gabriela disse...

acho que foi homem o suficiente pra ser quem vc é. o erro nisso td infelizmente é saber que as pessoas julgam isso de maneira tão primitiva e cruel..

um abraço apertado.

Pedro Antônio disse...

Puxa!

Estou sem palavras! Vou acompanhar a sua história! Parabéns pela coragem!

Obrigado pela visita! Até breve.

Abração!

Pedro Antônio

Caco disse...

Acompanhando...
Beijos.

Fernando disse...

Jason

Cara admiro sua coragem, creio que poucos teriam sido tão pro ativos assi ... bom pelo que vejo você esta um tanto bem pois ja reune forças para recomeçar e contar aqui partes da sua historia. Não desista, coragem apenas se planeje pois não vai poder viver de amor para sempre seja forte e todos nós estaremos torcendo por você. Obriogado pela visita no meu blog ... aquela poesia nasceu num momento especial simplismente veio e dpois se foi estranho nãp ? rs bom convido a vc e a todos a cohecer meu blog www.cobwear.blogspot.com

Well Bernard disse...

Oi cara, estou retribuindo a visita e lendo seu blog.

Estou gostando da sua história.

Abçs.

Marina Melow - Papo Contemporâneo disse...

Nossa, que história!
Você sim que é homem de verdade. Por assumir a sua opção sem medo.
Mas e a relação com sua família hoje, como é?

beijos!

Eduardo Santos disse...

Poxa, nem imaginava que tu passou por isso.
Sabe o que eu acho? Acho que o mundo precisa de mais homens o suficiente, assim como tu é.
Se antes eu já gostava de ti e te respeitava por ser tão querido comigo, agora eu te respeito muito mais!
Parabéns por ser forte o suficiente!