quinta-feira, 14 de maio de 2009

Minha História Partes 17 e 18

PARTE 17 – O ALÊ EM MINHA VIDA

Dois meses depois daquela conversa com papai conheci o Alê. E foi muito interessante a forma como nos conhecemos. Nesse tempo eu e a Ana Eliza, se lembram? A garota da formatura, minha colega de faculdade estávamos num lance... mas essa história é parte só do livro. E posso garantir que o livro estará mais interessante que o blog.
Aproveitando que estou de férias, estou escrevendo e selecionando o que posto aqui e o que vai ficar no livro. É engraçado como as idéias e os fatos estão vivos em minha mente. Parece que aconteceu tudo ontem. Mas na verdade, acredito que é exatamente por que é uma história de vida, vivida e realmente sofrida por mim, que tudo está assim tão vivo.
Mas afinal onde entra o Alê?
Quatro meses depois de minha formatura eu fora convidado para participar da semana do administrador na faculdade. Eu tinha um cartaz e tanto, pois já havia ajudado nas dos anos anteriores. E eu fora convidado para dar uma palestra com o tema: COMPORTAMENTO E POSTURA X EMPREENDEDORISMO E SUCESSO.
Quando entrei no auditório que tinha mais ou menos uns 300 estudantes, eu senti um friozinho na barriga. De terno e gravata eu parecia alguém na vida. E de alguma forma eu já era. Ali havia estudantes de todas as idades, mais novos e mais velhos que eu. Mas se eu fora convidado é por que eu seria capaz. Passei e fui pra frente. E exatamente na segunda fila, na cadeira do corredor, estava sentado o Alê, até então um play boy qualquer. E eu logo o notei. Ele estava literalmente espojado na cadeira, largado mesmo e mascava chicletes. Usava uma camiseta Calvin Klein, uma calça jeans fashion e um tênis surrado. Com lindos olhos verdes, ele não podia mesmo não ser notado. Os cabelos castanhos arrepiados completava o look do play boy. Apesar dele me chamar a atenção eu pensei: esse não tem futuro! Ele riu e me xingou quando eu disse isso a ele algum tempo depois.
Falei por quase trinta minutos e deixei a galera em alerta, não perdi o pique. Mas o que me prendia atenção era o play boy. Sempre que eu olhava na direção dele, parecia que ele estava sorrindo pra mim. Abri espaço para perguntas e dessas algumas foram inteligentes e desafiadoras, outras estúpidas. Tão logo terminei minha apresentação e dadas as devidas considerações eu sai fora, mas antes ainda olhei bem pra aquele play boy, talvez inconscientemente eu gostaria de revê-lo. E fui. Mas o que tem de ser, sempre acontece. Os dias se passaram. A imagem dele ficara guardada em minha mente. Mas esperança, acho que não tinha nem de revê-lo, mesmo porque eu não iria sair à sua procura.
Mas três semanas depois eu estava no hall central da faculdade, eu acabara de pegar um copo d’água e ainda estava de costas para o bebedouro quando alguém toca em meu ombro. Eu olho e vejo o play boy. Meu coração disparou, as pernas tremeram, mas não perdi o pique. E eu disse:
___ Pois não?
___ Não se lembra de mim? Da semana de administração?
É claro que eu lembrava muito bem e como lembrava! Mas eu disse:
___ É, sua face não me é estranha, mas era tanta gente...
E ele disse:
___ Cara foi o show, foi demais a sua palestra. Você é demais.
E eu disse:
___ Que bom que gostou. Obrigado.
___ Gostei tanto que me apaixonei por você, ele emendou.
Nessa hora eu literalmente me assustei, engasguei e sei lá mais o quê, perdi o fôlego. E ele vendo meu constrangimento disse:
___ Ei, ei, tô só brincando né, também não é pra tanto!
Eu sorri amarelo e vermelho ao mesmo tempo. E meio trêmulo eu novamente disse:
___ Obrigado por ter gostado.
Ao que ele respondeu:
___ De nada. Eu vo nessa! See you! E deu pinta que manjava inglês.
Eu disse:
___ Ok. Bye.
E fiquei ali com o copo na mão e não por mais que dois minutos, fiquei pensando: e se for ele? E se for ele... e corri atrás dele...
___ Ei, ei, eu disse pera ai... Qual o seu nome?
Ele sorriu... Deus do céu que sorriso mais lindo. E ele disse:
___ Pode me chamar de Alê. E logo perguntou: E você?
E eu disse:
___ Mas já esqueceu?
___ É algumas coisas fazem a gente esquecer outras, ele disse.
Não entendi o que ele quis dizer naquela hora, mas depois ele me explicou e eu achei lindo.
E eu disse a ele:
___ Meu nome é Jason. Ele riu e disse: é verdade.
E fiquei assim sem mais saber o que dizer. Mas eu precisava dizer mais alguma coisa e ai eu falei:
___ Olha, eu não sei bem o que dizer, nem se devo mas... mas... é...é... você topa sair comigo?
Ele sorriu, passou a mão nos cabelos e disse: acho que sim, por que não?

(Nosso primeiro encontro, as primeiras conversas, as surpresas..., o encantamento do amor, como que se fosse a primeira vista... estará tudo no livro...)


PARTE 18 – A MORTE DO PAPAI

Fazia dois meses que eu havia conhecido o Alê. Estávamos nos conhecendo e nada assim mais íntimo ainda havia acontecido, na verdade a gente foi se tornando amigos pra depois nos tornarmos namorados e acredito que é nossa amizade que mantém nosso amor assim sempre surpreendente.
Mas entre eu e ele havia a doença de meu pai. E nesse período o papai piorou muito. E eu trouxe ele pra Brasília. Mas ele só ficou uma semana e tive que levá-lo de volta pra casa. Assim na semana seguinte tirei férias pra ir ficar mais perto dele. Eu percebia que era seus últimos dias de vida. Isso me doia, me tirava a paz e me deixava inquieto e impaciente. Assim meu namoro-amizade com o Alê teve que ficar em segundo plano e o que mais me surpreendeu foi como o Alê foi compreensivo e muito paciente e também um grande apoio nesse tempo. Assim fui pra casa de meu pai ficar com ele. Logo que cheguei eu disse pra mamãe que a partir daquele dia eu iria tomar conta do papai a noite e ela dormiria no quarto com minha irmã, assim ela descansaria, eu via que ela estava já sem forças.
Nas três semanas que antecederam a morte de papai o Alê esteve lá em casa nos sábados pra me ver e me dar apoio e minha família o acolhia sempre bem. E papai ficou feliz em conhecê-lo. E um dia me disse: ele é novo, mas é um bom menino. Eu sorri, meio sem graça e disse: eu sei papai. O Alê é dois anos mais novo que eu.
Nossa família se uniu muito com a doença do papai. As vezes ficávamos horas sentados com ele na cama e ele já fraco ainda tinha forças para nos contar alguma estória de sua infância ou pra dizer que nos amava e que se orgulhava de nós. E procurava estar sempre agarrado a minha mão. As vezes eu pensava que ele se sentia em dívida comigo.
Uma semana antes de morrer ele lamentou que não veria nenhum de nós se casar e disse: inclusive você Jason, inclusive você. Achei isso estranho, mas não tinha como conversar mais sobre isso com papai. Ele já estava bem fraquinho. Em sua última semana de vida eu aprendi muita coisa bonita com meu paizinho (lágrimas). E eu sempre ficava surpreso, pois pra um homem que não tinha nem o segundo grau, ele não era apenas um mecânico, era um sábio. E umas das coisas que mais me marcou foi isso:
___ Jason, Jason eu sei que você tem sempre pedido a Deus um milagre. Mas o milagre não tem que ser pra você. Tinha que ser pra mim. E o milagre já aconteceu.
___ Como assim papai?
___ O único milagre que eu sempre pedi a Deus, foi o de ver você retornar pra casa antes de eu morrer. E você voltou, você voltou. Você é o milagre Jason, você é... (lágrimas).
E eu chorei ali ao lado dele. E pensava: de onde esse homem tirou tudo isso que sabe. Tanta luz!
E ele completou:
___ Jason meu filho, você sempre foi homem pra mim, e eu me orgulho de você, muito, muito mesmo. Obrigado por ter tornado feliz o final da vida desse pobre homem. Eu apenas chorava. E o beijei. E ficamos em silêncio. Era de manhã numa segunda-feira. Papai já passava muito tempo dormindo durante o dia, pois as vezes dormia pouco a noite.
Ele dormiu e eu sai do quarto. Fiquei feliz mas ao mesmo tempo triste. Papai estava muito fraco mesmo.
Terça-feira as quatro da tarde papai fica meio impaciente e ofegante eu me aproximei mais dele e o beijei e disse:
___ Tudo bem, tudo bem paizinho eu to aqui (lágrimas... e como isso ainda me dói). E ele se acalmou.
Quatro e sete da tarde ele me disse bem serenamente:
___ Eu sempre vou te amar. Parecia que ele estava muito bem. Sua voz foi clara e não aparentava dor ou cançasso. Mas na verdade ele havia reunido todas as forças que ainda tinha pra me dizer isso: EU SEMPRE VOU TE AMAR. E essa frase continua ecoando em meus ouvidos. Eu chorei ali do lado dele por muitos minutos... papai se despediu de mim da forma mais linda possível. Eu também papai, eu também, pra sempre vou te amar...(Lágrimas)

3 comentários:

alex e! disse...

...interessante a maneira como cê colocou as coisas nesse post, relatando o surgimento de um novo amor e o dilaceramento pela morte do teu pai, fato tão pesaroso. De qualquer forma, acredito que as coisas aconteçam no momento que têm de acontecer, nada é por acaso e mesmo as dores e as alegrias por que passamos servem, na verdade, pra nos fazer aprender e crescer na vida...

grande abraço do alex.....

Jason Waider disse...

É Alex eu também acredito que tudo acontece no momento certo na vida de todo mundo, talvez algumas pessoas não consigam perceber isso. Ter acontecido em minha vida um amor tão bonito e verdadeiro num momento de dor intensa e de uma perda tão significativo, me ajudou a superar.
To deixando o comment aqui mesmo. mas depois posto no seu blog tb.
Obrigado pelas palavras de apoio e amizade.
Abraço com carinho e amizade.

Caroline. disse...

ai eu ja to chorando litros aqui =/