terça-feira, 5 de maio de 2009

Minha História Partes 9 e 10

PARTE 9 – O ANTIGO NOVO VISUAL E O RETORNO A CASA

Logo que terminou as aulas, meu coração gelou. Era tudo que eu queria, mas deu um medo enorme. Mas não falei nem com o Cláudio nem com o Breno sobre meu plano, agora eu queria agir sozinho. Era hora. E assim foi. Pedi pra trabalhar só até meio dia na sexta-feira. Logo que sai do trabalho passei no salão e radicalizei. Cortei o cabelo que sempre esteve à altura do ombro. Cortei baixo nas laterais e arrepiei por cima. Cheguei em casa tirei também o cavanhaque que já me acompanhava por mais de 2 anos. Retirei as lentes e dessa vez era para sempre, pois nos últimos anos eu sempre as usei. Parecia que eu nem lembrava da cor dos meus olhos. E claro nada de óculos fashion também. Larguei literalmente a fantasia. Quando estava pronto pra sair, me olhei no espelho. Eu queria tanto ser homem o suficiente... mas será que era eu mesmo? Será que eu já era esse homem? Pensei... vou ou não? Como desistir agora no meio do caminho.
Já era por volta das quatro horas da tarde quando sai de casa. Tomei o ônibus pra minha cidade e ainda pensei: já imaginou se alguém me reconhecer justo agora? Bobagem. Daí a pouco cheguei na minha cidade. No centro, tudo tão diferente de cinco anos e meio atrás. Já havia passado das cinco e se nada tivesse mudado, todos estariam em casa. Peguei um taxi e disse pra onde me levar. Fui arregalando os olhos, muita coisa estava diferente. E eu disse com voz trêmula: faz tanto tempo que não venho aqui, tudo esta diferente e o motorista disse: é a cidade cresce rápido e as coisas mudam. Em 15 minutos chegamos em frente a minha casa, que era a mesma, só a cor havia mudado. Paguei o taxi e desci. Já estava começando a escurecer ( lágrimas ). Me lembro como se fosse hoje. Respirei fundo e toquei a campainha e isso já era novidade naquela velha casa no fundo do quintal. Minhas pernas começaram a tremer... daí a pouco uma mulher aparece na porta e vem lentamente em minha direção. Era mamãe que de repente me reconhece e corre abrindo o portão, foi um desespero (lágrimas) e me abraça e começa a gritar o Jason tá aqui, ele voltou, meu filho voltou. Todos saem correndo de casa. Meu irmão ao ver-me, me abraça e fica aos berros gritando o junin voltou, ele tá aqui! Ele tá aqui. Alguns vizinhos se aglomeraram em frente do portão. Meu irmão me abraçava e me dava cascudos. Papai chorava discretamente e me abraçava. Todos nós chorávamos. Que noite! Que longa noite!

PARTE 10 – DEPOIS DA CHORADEIRA A HISTÓRIA

Entramos pra dentro de casa. Na rua o movimento de curiosos foi grande e meu irmão esteve por lá um pouco, ele não se continha de alegria. Mamãe foi preparar o jantar e todos nós ajudamos. Meus irmãos sempre me beijavam. Até que minha irmã disse pensamos que você havia morrido. O papai como sempre mais calado. Mas eu via que ele sempre enchugava as lágrimas.
Fomos jantar já era mais de nove da noite. E foi um jantar especial. Ficamos à mesa até tarde eles me perguntavam mil coisas. E meu irmão ficou indignado quando soube que eu estava o tempo todo muito perto. Falou até em processar a polícia (risos) e eu disse eu me escondi e disfarcei muito bem. E mostrei fotos, muitas fotos. Eles não acreditavam. É não dava mesmo pra te reconhecer disse meu irmão. E eu pensei: como é bom esta aqui agora... a hora já ia longe... era hora de se preparar pra dormir. Papai dava ares de cansado.
Quando entrei no quarto notei minhas fotos ainda na parede. As camas ainda eram as mesmas e bem mais velhas... mas aquilo era o paraíso. O mesmo cheiro... mamãe trouxe toalha de banho e me lembrei da cena de quando eu ia saindo daquele quarto. Tomei banho e me deitei. Quando meu irmão chegou do banho eu já cochilava. Ele me perguntou já ta dormindo?
___ Eu disse: não.
___ Ele se aproximou e disse: chega pra lá. E foi deitando ao meu lado. Se lembra de quando a gente tinha dez ou doze e que dormíamos na mesma cama? Eu disse sim. E passou um filme em minha cabeça em questão de segundos.
___ Eu senti muito sua falta. Nós todos sentimos e sofremos. Você não vai embora de novo, vai?
___ Eu tenho que ir.
___ Mas porque? Seu lugar é aqui. Não tem nada a ver...
___ Nada a ver o quê? Eu perguntei.
Eu sei porque você foi embora. A gente te ama assim mesmo. A mamãe apenas não soube como lidar com a situação naquela época. Hoje tudo mudou. Ela fez terapia para superar o sentimento de culpa e a perda. Mas isso nunca aconteceu. Todos nós tivemos que ir em encontros de terapia. A mamãe nunca mais foi a mesma. Ela chora sempre.
___ Eu também Pedro, eu também choro. E dormi. Ainda notei, já adormecido que Pedro queria conversar mais. Mas como eu havia adormecido ele apenas me beijou na nuca e percebi que ele permaneceu ali do meu lado...
parte 11 a continuar...

6 comentários:

Cain Sodom disse...

Colega, você é o cara! Amei sua história até agora... Inclusive, se não se importar (se bem que já está publicado memso) publiquei no meu blog (como uma ótima indicação de leitura).

Mais sucesso pra vc!!!

Menino da Lenda disse...

Mudar de visual já é deveras preocupante, pior ainda é ter de encarar o passado. Fiz isso e parece que temos a carne rasgada literalmente. A cicatrização é dolorosa e demorada.E às vezes nem sara, fica lá pra nos lembrar.

alex e! disse...

...é sempre difícil quando temos de remexer no passado, tanto pra recontá-lo, como cê tá fazendo, como ao se deparar com ele, tema dessas partes da tua história, muito porque somos obrigados a lidar com coisas, com sentimentos que antes estavam, de certa maneira, adormecidos. Mas é muito boa essa sensação de se entender com alguém, ainda mais se for a própria família. Bom, nesse caso, imagino que seja... quem sabe algum dia seja o meu dia...

abraço do alex...

Fernando disse...

Remexer no passado é como visitar o velho sótão que ha em nosso coração e abrir o bau de lembranças onde escondemos todos os nossos fantasmas ... vc pode se sentir um privilegiado pois as lembranças ainda estavam preservadas la ... esperando você retornar e recomeçar de onde você parou ... pode crer sua historia de vida nos permitiu sonhar um pouco ... muito bom to orgulhoso de você

quando puder apareça no meu blog tambem sinto sua falta lá

Alex Pinheiro disse...

Obrigado pela visita,,, não é preciso voltar na história pra entender o mote e talz,,, aliás, parabéns pela velocidade da escrita... tem gente que bate flancos pra defender a poesia nas vírgulas e o vento nas pausas dramáticas; prefiro acreditar que uma escrita assim, rápida e independente, leva mais conteúdo e vontade do que as crises existenciais de Fernando Pessoa.
Boa pedida,,, continue na crença!

Abraços e continuadas invenções!

Well Bernard disse...

Cara, até eu pulei aqui com a sua história e o relógio tá me pressionando para ir para Universidade.

Muito boa sua história. Realmente dá um livro.