segunda-feira, 4 de maio de 2009

Minha História Partes 7 e 8

PARTE 7 – O CLAÚDIO EM MINHA VIDA

Um verdadeiro anjo e um grande amigo. Morei no apartamento dele de junho de 1999 a maio de 2004. Ele na época tinha 28 anos de idade. E além de se tornar um grande amigo e confidente, partilhamos nossas histórias de vida, nossos sonhos e conquistas e ele sempre me motivava e dizia: nunca tenha medo, nunca! Mas ele raramente falava da família dele. Eu via que seus pais e uma irmã ligavam algumas vezes. Ele as vezes ligava também. Nesse tempo que morei na casa dele, ele foi visitar a família apenas três vezes.
O Claúdio sempre me ensinou coisas boas, sempre me motivou. E esse tempo que estive na casa dele pra mim foi uma outra faculdade. As coisas que aprendi ali eu as tenho guardadas no coração e vão permanecer pra sempre. Ele sempre me ensinou a me valorizar a nunca me expor e que nunca deixasse que me usassem. E isso pra mim sempre valeu ouro. Foram essas coisas que me mantiveram no propósito de ser o que hoje eu sou. Foi assim que eu pude provar pra mim mesmo e pra minha mãe que ser homem o suficiente, não tem nada a ver com orientação sexual, mas sim com postura de vida.
Essa meia obsessão, fez com que meus relacionamentos não dessem certos, eu era exigente demais e quase sempre os objetivos eram muito opostos.
No início de meu segundo ano na faculdade o Cláudio me conseguiu um estágio na repartição de trabalho dele. O estágio depois foi renovado por mais seis meses e no fim de um ano eu fui contratado. Parecia que o universo conspirava a meu favor. Mas nem tudo foi flores. Se eu resolvesse falar das perdas, dos fracassos, seria pior. Mas afinal eu estou falando de coisas boas... Deus colocou pessoas boas na hora certa em minha vida. Tudo que sou devo ao Cláudio e ao Breno, minha história certamente seria outra sem eles. Se tenho mérito... eles também! Eu e o Breno éramos amigos já a muito tempo. As vezes a gente ainda ficava, mas era mesmo carência e uma certa saudade.
O Cláudio era de fato meu anjo da guarda. Era ele que respondia por mim em tudo. Ele era o irmão mais velho, o responsável ou o tio ou primo, era tudo que eu precisava que fosse e ka entre nós muito gay rsrsrrsrs. Eu sempre falava com ele: tu é muito gay e ele me dizia: fazer o que né? Não tive a sua sorte! A gratidão que tenho por ele é eterna e não tem preço, ele sabe disso. Mas eu não poderia ficar mais embaixo das asas dele...
Assim, em outubro de 2003 eu decidi que precisava morar sozinho, isso me ajudaria a me situar melhor no mundo. Eu ainda era muito dependente dele e muito protegido também, mas nunca sufocado. Ele sempre me deixou livre, tenho que ser justo. Mas morar sozinho e conquistar meu espaço era uma meta que eu não podia abrir mão. Quando falei com ele sobre isso, a princípio ele não concordou, achou que eu não estava sendo justo e na verdade não parecia mesmo. Mas depois ele entendeu o quanto importante isso seria pra mim no meu processo de ser homem o suficiente... pra viver sozinho. Então ele me apoiou e até me ajudou a encontrar e a alugar um flat ( pequenino) mas bem bonitinho e perto de onde ele morava. Ele me disse: é melhor aqui pois eu quero te ver todos os dias, e eu disse: oh Cláudiooooo, a gente trabalha juntos... ah é... ele respondeu (risos).

PARTE 8 – MORANDO SOZINHO

Apesar de eu ter me decidido morar sozinho, não foi algo que aconteceu logo. Só em maio de 2004 eu finalmente me mudei. Nesse dia o Claúdio chorou. E mais uma vez me lembrei do dia em que sai de casa. Passou um filme em minha cabeça outra vez. Já havia se passado 5 anos desde que eu saira de casa e naquela hora eu tive a sensação de que ninguém nunca havia se interessado em me encontrar. Será que teriam desistido de mim? Eu estava tão perto de casa... as vezes eu desejava ser encontrado, só pra ver o que aconteceria.
Até o Breno havia sumido, fazia uns seis meses que eu não o via. Ele me ligou apenas duas vezes nesse período e eu devo ter ligado umas duas. O Claúdio as vezes me dizia que ele estava bem. Mas eu sentia saudade dele também. Mas pra minha surpresa, lá estava ele no dia de minha mudança. O Cláudio o havia avisado. Assim os dois me ajudaram a carregar as poucas coisas que eu tinha. Mas o Cláudio havia combinado com os amigos de fazerem um happy hour em meu flat para inaugurar e os 12 convidados teriam que levar algum utensílio, cara foi legal!!! Foi um charme.
Era uma hora da manhã quando os convidados começaram a sair. Ficou apenas o Cláudio e o Breno. Um pequeno silêncio... e agora? Acho que todos pensaram assim ao mesmo tempo. E eu agradeci a eles por tudo. Mais uma vez minha única família nos últimos anos estava ali do meu lado e eu saindo de casa outra vez... eu fiquei imaginando: o que seria de mim sem eles? Será que eu teria sobrevivido? Não, eu certamente, teria voltado pra casa numa situação pior e mais vergonhosa ainda...
Quando eu termineir de agradecer o Cládio chorou de novo, mas me disse que era de felicidade. E no fundo era mesmo. Ao me ver vencendo ele também se sentia um vencedor. Era como se ele tivesse me adotado como filho. Ele disse que ia embora, se despediu de mim e do Breno que havia apenas cochichado em meu ouvido algo como: quero ficar com você essa noite. Eu apenas sorri em retorno e me lembrei do dia em que cheguei na casa do Cláudio. Eu e o Breno fomos tomar banho, depois nos deitamos, já era quase três da manhã mas foi muito bom e logo dormimos...
No sábado levantamos mais tarde. Daí a pouco o Breno se foi e sumiu por mais alguns meses. A tarde, já organizando as coisas e planejando os próximos passos, me deu um aperto no coração, medo, incerteza... e eu decidi que já era hora de voltar atrás e rever minha família, acontecesse o que acontecesse, mesmo que eu fosse escurraçado de casa de novo eu deveria fazer isso. Mas quando? Eu estava estudando e trabalhando. Assim decidi que logo que terminasse o semestre da faculdade, num fim de semana. Faltava pouco tempo, estávamos em maio. Nesse tempo fui me preparando psicologicamente para as mais diversas reações possíveis...
Parte 9 a continuar...

Um comentário:

Andreh disse...

Oi Jason.
Fico feliz q tenha gostado do Anatomia e tbém gostei muito de sua história e fiquei curioso p saber como termina, mas já posso concluir pelo seu recado q está feliz ao lado de seu amor.
Fico feliz por isso e desejo mtas felicidades p vcs.
Mas vou aguardar mais de seu relato...
Estarei sempre por aqui.
Abração